
Se Edimar Francisco da Silva, de 40 anos, soubesse que um senhor de 94 anos, médico de um posto de Saúde de Juazeiro do Norte, iria diagnosticar o seu problema de saúde, teria se mudado para Joinville muito antes. Foi no Ceará que o técnico em agropecuária descobriu que tinha um problema renal. E foi em Joinville que ele fez o transplante que salvou sua vida.
O processo foi rápido e certeiro. O rim foi doado por um familiar - um dos tipos de doações -, e o transplante mudou a rotina e o modo de viver de Edimar.
Tudo começou quando ele descobriu a doença e ligou para a irmã Mônica da Silva, 31, moradora de São Francisco do Sul. Prontamente, ela se candidatou para ser doadora, mesmo sem saber se o rim seria compatível.
— Ela foi até Juazeiro para ver a possibilidade de ser doadora. Viu o que precisava e começou a fazer os exames em Joinville —, conta Edimar.
Quando descobriram que era compatível, Edimar, já aposentado por causa da doença, decidiu ir até São Francisco e ficar com a irmã.
— Estava muito debilitado. Foi uma ação divina tudo ter dado certo —, diz.
Em julho deste ano, as hemodiálises começaram na Pró-Rim. Foram 70 dias de 'máquina', como os transplantados dizem. E em outubro, o transplante foi realizado no Hospital São José. A cirurgia fez Edimar mudar conceitos. Depois de um mês transplantado, ele conta ter mudado muita coisa na vida.
— A gente repensa alguns conceitos. Eu estava muito descrente e desde quando tudo começou, passei a acreditar em sinais divinos. Fez mudar os meus paradigmas —, confessa.
Segundo ele, há muitos mitos com relação a transplante.
— As pessoas precisam buscar conhecimento e tirar essa carga negativa. Claro que não quero passar por esse problema de novo, mas depois da transferência de órgão a vida se torna fantástica. É preciso incentivar o doador —, revela Edimar.
A irmã dele também acredita que esse ato de amor deve ser passado adiante.
— As pessoas têm medo, mas é tudo muito simples. Não muda a alimentação, não tem prejuízo, pelo contrário, só tem a ganhar —, completa Mônica.
Para os dois, foi uma possibilidade de Edimar continuar a viver.
— Por que deixar um ente querido sofrendo se você pode ajudar a salvá-lo e acalmá-lo? É um ato de amor. É algo especial.
Essa é uma das muitas histórias de sucesso de transplante. Agora, Edimar só tem um plano para o futuro:
— Quero viver, viver e viver.
Histórias como a de Edimar fazem parte do 5º Encontro de Transplantes do Sul do Brasil, que acontece em Joinville, nesta sexta e sábado.
Taísa Rodrigues
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